sexta-feira, 18 de outubro de 2024

Diálogos Globais – Mídia e Terrorismo (AGNU 2020): Xenofobia, Exclusão Social e a Regularização da Mídia

            Em um debate no qual, inicialmente, os temas de mídia e do terrorismo, e como estes se relacionam, era o principal assunto, é muito interessante ver como as discussões se encaminharam para chegar em assuntos sobre xenofobia, exclusão social, e até que ponto vai a liberdade de expressão, e se esta deve ou não ser regularizada(não deve, mas é um assunto com mais nuance que uma questão de “preto no branco”). Nos dois dias de debate da AGNU 2020, as delegações de cada respectiva nação provaram buscar chegar num consenso geral para a melhora de problemas globais, atuais e relevantes, terminando numa posição que, ainda não é a ideal, mas é um passo na direção correta.

No primeiro dia de discussão, o debate se centrou principalmente nos assuntos de limitação a mídia, tendo uma discussão de países como França, Índia e Emirados Árabes que defendiam uma certa regularização da imprensa com o objetivo de mitigar as notícias falsas e o crescente sensacionalismo e espetacularização que poderia causar apenas mais pânico na população geral. Por outro lado, os EUA e a BBC declararam que estas ideias de “restringir” as mídias eram perigosas e prejudiciais, defendendo a liberdade irrestrita de expressão. E num grande geral foi nisso que a discussão se baseou, com ao final do dia, chegando à conclusão de que deve haver um combate ao sensacionalismo exacerbado que vem por parte da imprensa atrás de cliques e atenção – crítica certeira feita pela delegação da Índia. As delegações decidiram que haviam se unir no combate à desinformação e ao sensacionalismo exagerado.

Já no segundo dia, a discussão foi centrada no segundo tópico, das políticas interestatais que poderiam ser usadas no combate ao terrorismo. No segundo dia a Al Arabiya, como única mídia presente, foi bem mais vocal, já começando o tópico discursando sobre como deve haver um órgão com o objetivo de combater as notícias falsas. Na continuação deste tópico, EUA e Irã declararam que o sensacionalismo que culpa outras nações pode ser muito perigoso, pois pode interferir na paz internacional e na diplomacia entre nações, com a Índia trazendo a realidade que muitas vezes este sensacionalismo na mídia pode direcionar-se para um lado xenofóbico e preconceituoso, trazendo irrealidades com diversos grupos étnicos, como por exemplo, com os dos muçulmanos, o que é uma crítica precisa e verdadeira. Declarou também que o preconceito, assim como o terrorismo, também é uma violência, com o Reino Unido acrescentando que a xenofobia infelizmente está enraizada na sociedade e sugere a criação de campanhas para combater este problema.

A partir daí, a discussão largamente se centrou na necessidade de combater a xenofobia na mídia para reduzir a violência, tendo-se a necessidade de associar os atos terroristas aos que os praticam, e não a um grupo étnico inteiro, o que pode ser muito incentivado pela maneira que certas empresas tratam de tais assuntos, assim como a defesa de uma punição aos estados terroristas de uma forma que não afete a população inocente das nações. Nesta discussão, também houve uma crítica da Índia em relação aos Estados Unidos e seu patriotismo, já que, a nação americana diz que se recusa a abrir-se para imigrantes e possíveis refugiados, por medo de ser atacada em tempos de crise. Ainda nesta discussão, os EUA defendem ações que incentivem uma certa pluralidade étnico-racial na mídia, acrescentando que a IOJ(Organisation Internationale des journalistes) deveria ter um papel maior na regulação da desinformação e oferecendo uma perspectiva imparcial sobre as notícias e fatos, o que o Egito defende que não há possível que se tenha. É sugerido pela Al Arabiya um selo a partir da IOJ que prova a confiabilidade das notícias.

No meio desta discussão, o comitê entrou em crise após um bombardeio a uma escola abandonada israelense vindo dos Emirados Árabes, onde, logo em seguida, os terroristas refugiaram-se no Egito. EUA oferece apoio militar para Israel, o que é considerado perigoso e desnecessário pelo Irã, que pontua que isto causaria apenas mais pânico e violência, mas em momento algum, a nação americana diz que não irá cumprir com esta decisão. Reino Unido e França oferecem abrigar imigrantes dos Emirados Árabes, o Egito declara-se contra o abrigamento dos terroristas. A crise acabou com Israel fazendo declarações perigosas, como a de que o Estado deveria ter total controle da mídia neste tempo de crise e que aumentaria a fiscalização em suas fronteiras, o que a França combateu dizendo que isto prejudicaria os refugiados.

Ao fim das discussões, os temas de preconceito e exclusão social são retomados, com o debate sendo objetivado num debate não demorado para realizar o projeto de intervenção e finalizar o debate. Todos os países concordaram nesta nova atuação da IOJ para regular as notícias, mas o que realmente incomoda é o discurso que apresentaram contra a mídia alternativa, esta que pode ser muito importante às vezes. Apesar de vários passos na direção correta terem sido feitos nesse debate, ainda não é totalmente satisfatório e ainda há muito o que melhorar.

Autor: Gabriel Vieira

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